Pesquisas eleitorais: entenda como são feitas e se são realmente confiáveis!

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Cada vez mais acompanhamos nos principais jornais televisivos ou impressos a divulgação de dados de pesquisa eleitoral no Brasil.


Afinal de contas, entramos no ano de 2022, que promete ser uma das eleições mais polarizadas dos últimos anos.

Com isso, há políticos e eleitores que questionam a efetividade das pesquisas e argumentam que elas têm o objetivo de influenciar os votos dos eleitores para os seus candidatos favoritos.

Por isso muitas pessoas tem dúvidas sobre a realização destas pesquisas, já que nunca nem sequer fez parte de uma.

Muitos realmente ficam de fora delas, mas existe uma explicação para isso. Entenda como é feita uma pesquisa eleitoral, sua importância e se são, de fato, confiáveis neste conteúdo!

Entenda as 6 fases das pesquisas eleitorais

Pesquisas eleitorais

1. Encomenda

Em primeiro lugar, é importante saber que as pesquisas eleitorais não acontecem somente no período das eleições.

Periodicamente, são realizados levantamentos sobre a popularidade de candidatos e governantes.

Você já deve ter visto, por exemplo, pesquisas com índices de aprovação ou rejeição.

E antes das eleições, lembra-se de pesquisas que mostravam quem venceria a eleição para presidente, caso ela acontecesse ainda naquele ano? Pois então, esses são tipos de pesquisas eleitorais.

Elas costumam ser encomendadas por grupos de mídia e são um importante instrumento na cobertura jornalística, antes e durante as eleições.

Podem ser encomendadas também por instituições financeiras ou até mesmo por partidos políticos. Eles entram em contato com as empresas de pesquisas para encomendar um estudo sobre o comportamento eleitoral das pessoas.

Além disso, deve haver uma discussão do instituto com a empresa contratante de quais pré-candidatos e cenários serão avaliados. Se já houver registro oficial de candidatos, obrigatoriamente todos eles terão de constar da pesquisa (vamos explicar isso ao longo do conteúdo).

Nessa fase também é definida a abrangência do levantamento (com ou sem rejeição, com ou sem simulação de segundo turno). E se serão incluídos outros questionamentos, como popularidade de governantes.

Outra definição prévia é a do contexto da pesquisa: saber se os resultados eleitorais serão apenas por país, estado ou município. Ou optar por divulgar resultados por regiões do Brasil ou do estado. Quanto mais refinados forem os dados, maior terá de ser a amostra.

2. Escolha dos entrevistados

Com a pesquisa encomendada, os pesquisadores definem uma amostra que seja representativa do grupo a ser pesquisado, utilizando dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ou de outra empresa pública relevante.

Diferente de um censo, onde toda uma população é ouvida para que se tenha um resultado 100% representativo, as pesquisas eleitorais são realizadas levando em conta uma amostragem, isto é, um grupo de pessoas que representará toda a população.

Este movimento é necessário para escolher um número limitado de pessoas, em que as características delas sejam parecidas com a do grupo maior que se queira pesquisar, que os estatísticos chamam de universo.

Em estatística, uma amostra é um conjunto de dados coletados e/ou selecionados de uma população que tem a função de representar, na mesma proporção, o universo estatístico. 

Para selecionar a amostra corretamente, os analistas usam os dados do IBGE para distribuir as características da população, como escolaridade, idade, gênero, nível de renda, dentre outros. Os pesquisadores chamam essas características de variáveis.  

“A amostra deve ser uma reprodução do universo a ser representado, com as mesmas proporções de segmentos sócio-econômicos”, afirma o diretor do Datafolha, Mauro Paulino.

Em relação aos locais onde serão aplicados os questionário: “São sorteadas cidades de pequeno, médio e grande porte nas mesorregiões (recortes dentro de cada Estado) definidas pelo IBGE”, explica Paulino. É que a proporção de moradores de capitais ou de cidades do interior também é considerada na formação da amostra.

Neste momento, aparecem algumas mudanças metodológicas, que variam de instituto para instituto, que é a interpretação das variáveis. 

“Quanto mais as variáveis escolhidas estiverem relacionadas com o objeto do levantamento, melhor será a amostra”, diz a diretora do Ibope Márcia Cavallari.

No caso do Ibope, as variáveis consideradas geralmente são as de gênero, faixa etária, escolaridade e ramo no qual a pessoa trabalha (ou se está desempregada).

É fundamental definir a quantidade de pessoas que serão ouvidas. Este número é decidido a partir de um cálculo, que leva em conta a margem de erro, que é a variação possível em torno de um resultado, e o nível de confiança, isto é, o número de vezes em que a pesquisa dará um resultado semelhante se for repetida.

Se as pesquisas são realizadas com apenas um grupo de pessoas, como elas representam toda a população?

Funciona da seguinte forma: as pessoas escolhidas para compor este grupo são selecionadas levando em conta características que representam o conjunto de todos os eleitores.

Estas características podem ser idade, gênero, escolaridade, distribuição de renda, entre muitos outros. A localidade costuma ser um fator muito importante.

Não existe um número exato de pessoas entrevistadas. Geralmente é algo entre 1 mil e 4 mil eleitores. O Datafolha, por exemplo, considera entre 2 mil e 2,5 mil pessoas em suas pesquisas eleitorais. Nas eleições municipais, o número de entrevistados varia de acordo com o tamanho do município.

A amostra, que é o grupo de pessoas entrevistadas, é definida também pelo tipo de eleição que está sendo realizada.

Por exemplo, a pesquisa para uma eleição estadual considera vários municípios dentro daquele estado pesquisado, geralmente as cidades escolhidas são as mais populosas.

Por sua vez, uma pesquisa para a eleição presidencial seleciona pessoas de vários estados ao longo do território brasileiro. Nas pesquisas para eleições municipais, as pessoas entrevistadas são escolhidas ao longo dos bairros da cidade.

O perfil dos eleitores que responderão à pesquisa é selecionado a partir de um banco de dados. As principais fontes utilizadas para essa coleta são o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a Justiça Eleitoral.

O que é a margem de erro de uma pesquisa?

A margem de erro, também chamada de intervalo de confiança, indica em que medida se pode esperar que os resultados da pesquisa sejam um reflexo das opiniões reais da população total. Lembre-se de que uma pesquisa é um jogo de equilíbrio no qual se recorre a um grupo menor (respondentes da pesquisa) para representar um grupo muito maior.

Pense na margem de erro como uma forma de medir a eficácia da pesquisa. Quanto menor a margem de erro, mais confiança você pode ter nos resultados. Quanto maior a margem de erro, maior a discrepância entre os resultados e as opiniões da população total.

Tal como o nome indica, a margem de erro é um intervalo de valores acima e abaixo dos resultados reais de uma pesquisa. Por exemplo, 60% de respostas “sim” com uma margem de erro de 5% significa que entre 55% e 65% da população geral considera que a resposta é “sim”.

Como calcular a margem de erro?

n = tamanho da amostra • σ = desvio padrão da população • z = escore z
  • Obtenha o desvio padrão da população (σ) e o tamanho da amostra (n).
  • Pegue a raiz quadrada do tamanho da amostra e divida-a pelo desvio padrão da população.
  • Multiplique o resultado pelo escore z coerente com o intervalo de confiança desejado de acordo com a tabela a seguir:
NÍVEL DE CONFIANÇA DESEJADO ESCORE Z
80% 1,28
85% 1,44
90% 1,65
95% 1,96
99% 2,58

Veja como funciona a fórmula da margem de erro com um exemplo:

Imagine que você está tentando decidir entre o Nome A e o Nome B para um novo produto, e seu mercado-alvo consiste em 400.000 clientes potenciais. Essa é sua população total.

Você decide aplicar a pesquisa a 600 indivíduos entre esses clientes potenciais. Esse é o tamanho da amostra.

Quando você recebe os resultados, 60% dos respondentes afirmam que preferem o Nome A. É preciso inserir o nível de confiança.

Esse número indica o grau de certeza que você tem de que a amostra reflete com precisão as opiniões da população total. Os pesquisadores geralmente definem esse grau em 90%, 95% ou 99%. 

Importante: não confunda o nível de confiança com o intervalo de confiança, sinônimo de margem de erro.

Utilizando a fórmula e com um nível de confiança de 95% você terá uma margem de erro de 4%.

Você lembra que 60% dos respondentes escolheram o Nome A? Essa margem de erro significa que agora você sabe com 95% de probabilidade que de 56% a 64% da população total, seu mercado-alvo, prefere o Nome A para o seu produto.

Para obter os valores 56 e 64, somamos e subtraímos a margem de erro das respostas da amostra.

Como o tamanho da amostra afeta a margem de erro?

Como já foi dito, conhecer a margem de erro ajuda a entender se o tamanho da amostra da pesquisa é adequado.

Se achar que a margem de erro é grande demais, você pode aumentar o tamanho da amostra para que as posturas da população entrevistada correspondam ainda mais às da população total.

3. Realização das entrevistas

Após calcular a amostra e definir as variáveis, o instituto de pesquisa inicia o processo de entrevistas. 

Mais uma vez há mudanças metodológicas que variam de acordo com o instituto. No Ibope, o entrevistador realiza as entrevistas nos chamados “setores censitários”, que são definidos pelo IBGE durante o Censo. Cavallari relata que a principal vantagem deste método é saber exatamente onde cada entrevista é feita, pois o entrevistador se dirige para a casa das pessoas para efetuá-las. 

A partir daí, o entrevistador vai percorrer esse território (o do setor censitário) até preencher todas as entrevistas que estavam designadas para ele.

O Datafolha usa outra metodologia, que é “pontos de fluxos”. Os pesquisadores são enviados para locais fixos em um ponto da cidade e entrevista as pessoas que passam neste ponto, de acordo com a característica social dessas pessoas e de forma aleatória. 

De acordo com Paulino, o Datafolha mapeia mais de 60 mil pontos deste tipo, que são atualizados diariamente.

Caso você seja abordado por algum entrevistador, preste atenção em alguns princípios que ele precisa cumprir para que a pesquisa seja bem realizada:

  • A pesquisa deve ser domiciliar ou em pontos de fluxo de pessoas

O entrevistador pode ir até sua casa e ver se você e os outros moradores da sua residência estão de acordo com as características da amostragem, ou então abordá-lo em um outro local.

As pesquisas não podem ser feitas por telefone, já que os institutos de pesquisa consideram que elas afetam a aleatoriedade.

Afinal, boa parte da população não tem telefone fixo, e, dessa forma, muitos brasileiros não teriam a chance de serem entrevistados.

  • O questionário deve ter duas perguntas principais, uma espontânea e uma estimulada

Na primeira, o entrevistador não pode lhe dizer os nomes dos candidatos, a pergunta deve ser algo como “Se as eleições fossem hoje, em quem você votaria?”.

Já na pergunta estimulada, o entrevistador deve lhe dizer quais os nomes dos candidatos. Ele deve lhe perguntar “Se as eleições fossem hoje e os candidatos fossem esses, em quem você votaria?”.

  • A indicação dos candidatos deve ser em formato circular

A lista com os nomes dos candidatos deve, primeiramente, ser mostrada ao eleitor, nunca lida pelo entrevistador.

Os nomes devem ser mostrados em uma disposição circular, semelhante a uma pizza. Isto porque se houver uma sequência, a decisão do entrevistado pode ser influenciada pelo entrevistador.

  • Enquete na internet não é pesquisa eleitoral

As pesquisas eleitorais são feitas com base em estudos estatísticos que tem o objetivo de representar o universo da população que se quer estudar.

Já as enquetes, de um site ou página na internet, não tem o controle amostral de quem vai responder às perguntas. Isso causa uma desproporcionalidade dos dados em relação ao universo amostral.

Por exemplo, uma página de direita ou esquerda tende a ter eleitores que se identificam com a sua visão de mundo. Assim, ao fazer uma enquete eleitoral neste universo, é claro que o seu candidato terá o número de intenção de votos disparado porque os dados amostrais foram completamente distorcidos. 

Podemos destacar, por exemplo, a limitação que ocorre pelo próprio público, uma vez que parte da população não tem acesso à internet.

“Do mesmo modo, o perfil de quem responde espontaneamente às enquetes não é o perfil geral do eleitor, o que acaba enviesando os resultados”, diz Danilo Cersosimo, do Ipsos, em outra entrevista para a BBC Brasil. 

Por isso mesmo existe uma diferenciação do que pode ser chamado de pesquisa, com métodos que devem ser seguidos, e enquetes, que podem ser feitas sem adoção de critérios científicos.

Que candidatos devem ser incluídos nas pesquisas?

Antes do registro de candidaturas no TSE, os institutos podem pesquisar cenários eleitorais diferentes. Por exemplo, com Lula, sem Lula, com Bolsonaro, sem Bolsonaro. 

Também podem testar nomes diversos, como Luciano Huck ou Sérgio Moro. A ideia é testar diferentes possibilidades enquanto os candidatos ainda não estavam definidos.

Já a partir do momento que os candidatos pedem o registro ao TSE, a lei eleitoral obriga os institutos de pesquisa a apresentarem para os entrevistados uma lista com os nomes de todos aqueles que efetivamente requereram registro.

No caso das eleições presidenciais de 2018, o registro terminou no dia 15 de agosto, com treze candidaturas requeridas. 

Portanto, desde o dia 15 de agosto, todas as pesquisas eleitorais sobre as eleições presidenciais deveriam incluir os nomes desses 13 candidatos.

Por que nunca fui entrevistado?

É possível que você nunca tenha respondido a uma pesquisa eleitoral e talvez não conheça ninguém que tenha participado desses levantamentos. Então, como confiar que os resultados são verdadeiros?

A possibilidade de alguém ser entrevistado para uma pesquisa, de fato, é baixíssima. O Brasil tem quase 150 milhões de eleitores. Dependendo do tipo de pesquisa, mesmo que tenha abrangência nacional ela pode ter apenas 400 entrevistados. 

Ainda assim, a metodologia das pesquisas assegura que os poucos que foram ouvidos representam todo o eleitorado com elevado grau de precisão.

Isso ocorre porque os institutos de pesquisa fazem a chamada estratificação da amostra de eleitores. Ou seja, selecionam um grupo de pessoas que representa o eleitorado por sexo, faixa etária, escolaridade, renda e região em que mora.

A montagem da amostra da pesquisa é feita com dados oficiais do IBGE e do TSE.

Os resultados da pesquisa representam o eleitorado porque existe uma relação estatisticamente comprovada entre determinado estrato social com as intenções de voto desse segmento social.

No fim das contas, pesquisas eleitorais tentam “prever” o que vai acontecer quando chegar o dia da votação.

E a evidência existente até agora é de que, na maioria das vezes, os levantamentos são bem sucedidos nesta tarefa, principalmente quando são realizados mais perto da data.

Cientistas políticos da Universidade de Houston (EUA) verificaram que pesquisas feitas duas semanas antes da votação conseguiram acertar o resultado de 10 entre 11 eleições em países latino-americanos, entre 2013 e 2014 (uma eficácia de 90,9%).

Um resultado similar aparece em um levantamento do site de notícias jurídicas Jota, que considerou 3.924 pesquisas eleitorais brasileiras nas eleições nacionais de 1998 a 2014.

Por fim, é possível que durante a campanha surjam textos nas redes sociais mencionando “pesquisas” que não existem, para favorecer este ou aquele candidato. Para saber se uma pesquisa foi realmente feita ou não, basta consultar o TSE.

Todas as pesquisas confiáveis feitas no país estão registradas neste banco de dados da Justiça Eleitoral.

4. Checagem

Normalmente, pelo menos 20% das entrevistas são auditadas. Isso pode ser feito durante a fase de coleta dos dados, quando um supervisor do instituto acompanha parte das entrevistas para assegurar que o preenchimento dos dados está sendo feito corretamente.

A checagem também pode ser feita numa fase posterior às entrevistas. Um funcionário do instituto liga para as pessoas entrevistadas para verificar se os dados do questionário batem com o que a pessoa fala. Se não baterem, todas as entrevistas feitas por aquele entrevistador são descartadas.

5. Resultados

Finalmente, é feita a compilação dos dados levantados. É uma etapa automatizada. As informações são inseridas num programa de computador, que calcula os resultados finais da pesquisa.

Apesar de ser uma etapa automatizada, existe a supervisão de um estatístico, que analisa os dados até chegar ao resultado final da pesquisa.

6. Registro

Todas as pesquisas eleitorais devem ser registradas junto à Justiça Eleitoral. No registro, deve ser informado quem é o contratante, quanto foi pago por ela, a metodologia utilizada, o questionário aplicado, critérios de controle de qualidade, margem de erro amostral, entre outras informações. O registro deve ocorrer em até cinco dias antes da divulgação da pesquisa.

E o que muda nas pesquisas eleitorais para o ano de 2022?

Desde 1º de janeiro, as empresas e entidades que realizarem pesquisas eleitorais, para conhecimento público, devem registrá-las no Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais (PesquEle), até cinco dias antes da divulgação dos resultados. O link estará disponível no site do TSE e dos tribunais eleitorais.

Entre as inovações estão a inclusão das federações partidárias nos procedimentos de controle e fiscalização das pesquisas. As federações foram instituídas pela reforma eleitoral de 2021 e consistem na união de partidos para atuar de forma conjunta em todo o país durante, no mínimo, 4 anos.

Para o registro de pesquisa, é obrigatório informar: quem contratou a pesquisa e quem pagou para sua realização, valor e origem dos recursos, metodologia usada, período de realização do levantamento e estatístico responsável.

As enquetes, levantamentos de opinião que não utilizam método científico, se forem divulgadas, serão reconhecidas como pesquisas sem registro, devendo o juízo eleitoral competente determinar sua remoção.

Candidatas e candidatos, partidos, coligações, federações e Ministério Público podem ter acesso ao sistema de controle e fiscalização de pesquisas, sendo partes legítimas para impugnar o registro ou a divulgação das pesquisas caso constatem irregularidades.

As normas relativas a pesquisas constam da Resolução 23.676/2021 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Mas a pergunta que não quer calar: pesquisas eleitorais são confiáveis?

Uma pessoa adulta tem entre cinco e seis litros de sangue. Mesmo assim, os médicos conseguem descobrir doenças como a anemia extraindo alguns poucos mililitros de um paciente – em um exame como o hemograma.

A analogia acima se aplica às pesquisas eleitorais e de opinião: com os métodos certos, é possível conhecer o pensamento e as tendências em um grupo tão grande quanto os eleitores brasileiros a partir de entrevistas com uma pequena parte deste contingente – amostras de 2 mil pessoas ou até menos.

Com as eleições de 2022 se aproximando, as pesquisas (principalmente as eleitorais) se tornarão cada vez mais comuns.

Os levantamentos dos institutos de pesquisas, porém, vão muito além da disputa pela Presidência da República: são usados também para conhecer tendências de opinião das pessoas sobre determinados temas e para planejar estratégias de marketing das empresas.

Ainda que as pesquisas sejam feitas com vários critérios, dados confiáveis e a supervisão de um estatístico, as pesquisas eleitorais não se baseiam em valores absolutos, mas sim em estimativas.

Além disso, a validade das pesquisas eleitorais depende da opinião pública, que varia constantemente. Por isso os resultados não são exatos, e são acompanhados sempre da chamada margem de erro.

A margem de erro é o índice que determina a estimativa máxima de erro que o resultado de uma pesquisa pode ter.

Ela vem sempre acompanhada do nível de confiança, que é o número de vezes que a pesquisa pode ser repetida e o resultado será sempre um valor próximo.

Por exemplo: vamos supor que um candidato está com 23% das intenções de voto. Levando em consideração a margem de erro padrão de 2 pontos percentuais, ele terá entre 21% e 25% dos votos. Se repetirmos esta pesquisa, ela deverá apresentar este mesmo resultado em 95% das vezes em que for realizada, já que este é o percentual padrão do nível de confiança.

A margem de erro também determina quantas pessoas deverão ser entrevistadas. Quanto mais se desejar uma pesquisa com um maior nível de confiança e uma menor margem de erro, mais pessoas deverão ser ouvidas.

Portanto, a única forma de uma pesquisa não apresentar margem de erro é através da realização de um censo.

Veja no vídeo abaixo a entrevista concedida por Renato Meirelles, presidente do Data Popular, ao Jornal BandNews FM. Nessa entrevista ele responde se as pesquisas eleitorais são realmente confiáveis.

E então, conseguiu entender, de fato, como funcionam as pesquisas eleitorais? Já participou de alguma delas? Conte para gente!


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